Instituto Ética Saúde apresenta balanço do Canal de Denúncias durante 10º Encontro Anual de OPMES

08/03/2016

“Não existe saída simples pra problemas complexos”. Com esta mensagem o presidente do Instituto Ética Saúde e da Associação Brasileira de Importadores e Distribuidores de Implantes (ABRAIDI), Gláucio Pegurin Libório, convocou empresas, hospitais, distribuidores e médicos a se unirem para transformar o setor de Dispositivos Médicos Implantáveis (DMI) em um ambiente transparente, saudável e competitivo. A declaração foi durante o 10º Encontro Anual de OPMES - Convergência Setorial e Ética na Gestão dos DMI, realizado no dia 8 de março, em São Paulo.


O evento reuniu representantes da Anvisa, Ministério Público Federal, Câmara dos Deputados, Planos de Saúde, Sociedades Médicas, Universidades, Hospitais e Associações que representam a indústria de DMI. No último painel, moderado pela sócia diretora da GPES Gestão de Projetos em Saúde e da Revista Melhores Práticas, Gilmara Espino, o tema debatido foi “O que tem sido feito para convergirmos para a regulamentação e para uma maior transparência do setor?”. Gláucio Pegurin Libório afirmou que o Instituto Ética Saúde já está dando os devidos encaminhamentos para as mais de 400 denúncias recebidas por meio do Canal de Denúncias. “Este é um meio independente, com servidor fora do país, totalmente sigiloso. Todos os players estão envolvidos, seja por ação ou omissão. O Ética Saúde começou com 35 empresas e hoje são 320, que representam de 80 a 85% do mercado. Entre as empresas denunciadas estão 144 associadas, que sofrerão as punições cabíveis, caso as denúncias sejam comprovadas pelo Conselho de Ética do Acordo Setorial”, explicou Libório. O Conselho de Ética é formado pelo subprocurador da República, Antônio Fonseca, pelo presidente do Fórum Nacional Contra Pirataria, Edson Luiz Vismona e pelo professor titular do Departamento de Administração da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo, Celso Grisi. Também participaram do Talk Show o diretor executivo de Relações Institucionais da Associação Brasileira da Indústria de Alta Tecnologia de Produtos para a Saúde (ABIMED), Aurimar Pinto; o superintendente da Associação Brasileira da Indústria de Artigos e Equipamentos Médicos e Odontológicos (ABIMO), Paulo Henrique Fraccaro; o secretário executivo da Federação Brasileira de Hospitais, Eduardo de Oliveira; e o diretor de Integração Cooperativista e Mercado da Unimed Brasil, Valdmário Rodrigues Junior. Todos concordam que a mudança só vai acontecer a partir de um esforço comum. “Temos visto esforços isolados para pressionar a aprovação de Projetos de Leis em Brasília. Estamos lá com frequência, mas pretendemos ir de forma coletiva”, afirmou Aurimar Pinto. Para Paulo Henrique Fraccaro, os interesses ainda não são convergentes. “Não há dúvida que o fabricante quer vender por um preço saudável, o hospital precisa ter um lucro pra continuar existindo e saúde suplementar também necessita de uma fatia. Todos precisam estar abertos a rever a equação porque senão a saúde quebra. O passo que o Brasil está dando é irreversível. Mas temos que mudar nossos pensamentos pessoais, mudar cultura”. O tema precificação também foi destaque. “Será que esta não é uma solução simplista para um problema tão complexo?”, indagou o diretor executivo da ABIMED. “Se desenvolvermos um sistema do que é produto e o que são serviços legítimos e necessários, talvez estejamos no caminho certo”, concluiu em seguida. Para o presidente do Instituto Ética Saúde e da ABRAIDI, Gláucio Pegurin Libório, a precificação é a busca pela solução simples pelo caminho errado. “A partir do momento que conseguirmos derrubar a remuneração indevida dos médicos e dos hospitais e nós distribuidores conseguirmos fazer o processo de forma clara e ética, os preços vão cair e a concorrência será leal. O sistema está errado e nós nos prontificamos a ajudar os hospitais a discutirem o problema com os planos de saúde e a encontrar soluções”, afirmou. Libório finalizou lembrando da importância de se passar valores para os sucessores e dar o exemplo. “Eu não vejo os empresários passarem pra um ente da família, para os filhos que vão sucedê-los, os princípios da ética. Dizer ‘não quero isso pra minha empresa’. Se cada um der o seu passo, vamos mudar o mercado”.

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