O início de uma nova era para o Brasil

23/12/2020

Por Eduardo Winston Silva, Presidente do Conselho de Administração do IES


Caminhamos para o final de 2020, um ano onde nossas virtudes foram constantemente colocadas à prova. Logo, a reflexão que se enseja é: como nos saímos? Temos mais motivos para ficar esperançosos ou preocupados com o futuro de nossa sociedade?
 
Naturalmente, não haveria uma resposta única para estas reflexões tão complexas. O fato é que não estávamos preparados e o custo desta pandemia até aqui foi enorme. A dor das famílias que perderam entes queridos, o medo do contágio, a angústia do isolamento social e as preocupações com a sustentabilidade econômica dominaram nossos pensamentos. 
 
Pois foi justamente neste cenário que vimos renascer a força da solidariedade. De uma hora para outra notamos o valor do contato social e vieram os vídeos das conversas nas varandas, das cantorias coletivas e dos shows espontâneos. Vimos heróis anônimos se disponibilizando para ajudar aqueles que precisavam e reafirmamos a habilidade que nos distingue de todos os demais animais deste pequeno planeta azul: nossa incomparável inventividade e a enorme capacidade de se adaptar. Motivos para termos nossa esperança renovada!
 
Vimos, por outro lado, um acirramento da radicalização. Seguimos perdendo a capacidade de dialogar, à medida que nossas opiniões foram se transformando em dogmas. Preconceitos emergiram e foi escancarada a banalização, ou até mesmo o culto à violência, como forma de solucionar as desavenças. De maneira anacrônica, a tecnologia das redes sociais - que veio para nos unir - foi justamente o fio condutor desta radicalização, pela proliferação de meias verdade e completas mentiras forjando raivosas convicções. Preocupante, sem dúvida.
 
Na saúde, o quadro não foi diferente. De uma hora para outra, todo arcabouço de normas, alçadas, certidões e controles que tínhamos se tornou insustentável. Precisávamos responder rapidamente e a burocracia era um empecilho grave. Tudo que nos restava era a integridade, a Ética dos agentes da saúde. O problema é que não estávamos culturalmente preparados para isso, não foram poucos os relatos de oportunismos. E não demorou a chegar as denúncias de superfaturamento de produtos, desvios de recursos e até falsificações.  
 
Por outro lado, fomos capazes de dar uma resposta à sociedade. Nosso sistema de saúde não entrou em colapso como temíamos. Pelo contrário, conseguimos aumentar a capacidade de atendimento numa velocidade admirável, enquanto empresas e profissionais se desdobravam para atender todos os casos possíveis. Uma prova inequívoca que a grande maioria é íntegra e que, afinal, temos motivos para acreditar em um futuro muito melhor.
 
São enormes os desafios, mas tenho a certeza que podemos construir uma sociedade melhor. Que a dor de nossas irreparáveis perdas sirva como estopim para uma necessária mudança cultural. Que 2020, seja o início de uma nova era para o Brasil, onde o respeito, o diálogo e a integridade sejam, de fato, valores inabaláveis. 
 
Eduardo Winston Silva - Presidente do Conselho de Administração do IES 

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